quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Gatos, gatinhos, gatunos...

Há quem diga que gato é traiçoeiro
Que não gosta do dono, mas da casa.
Tem gente que fala que gato adoece as crianças
E que é bicho egoísta.

A maioria dessas pessoas não tiveram gato.
Ou se tiveram, não o souberam amar como um felino de verdade.
Esperaram que o gato agisse como um cão ou coisa do tipo.
Gato é manhoso
É felino, mas parece bicho preguiça.
Tem o instinto de querer conhecer o mundo, mas sabe a hora certa de aninhar no colo.

Gato é bicho curioso, que observa antes de dar qualquer passo.
Que ronrona quando ganha um carinho na barriga, mas se ele quiser, claro.
É bicho engraçado também. Traz bichos mortos e jura que é presente.

Mas além desse jeito todo fofo de ser do gato, ele é remédio.
Ele não vai adoecer seus filhos, se eles não forem alérgicos.
Ele não irá te arranhar quando estiver distraído e te abandonar em uma noite de inverno.

Gato é amigo.
Se você não estiver bem, ele vai chegar de mansinho, deitar do seu lado e ronronar para te consolar do choro.
E, acredite, ele não vai sair até você estar bem.

Ele vai pular no seu colo quando você menos esperar e deixar sua perna dormente, porque você vai ficar com dó de acordá-lo.
Vai ser seu companheiro nas noites frias, aquecendo seu pé.
E nas noites quentes a cama ficará pequena demais, mas você não vai tirá-lo de lá.


Só sabe o amor que é ter gato, quem tem/teve.
Não me venha com seus discursos contrários, sou amante dos bichanos!
E jamais se muda um coração que, verdadeiramente, ama!










sábado, 4 de novembro de 2017

Viver bem... O hoje!


Vive bem quem vive um dia de cada vez...

Quem não aposta no amanhã, mas faz de tudo para que ele aconteça da melhor maneira.
Quem não deixa a dor de ontem pesar na alegria de hoje.

Vive bem quem sabe comemorar o nascer de um novo dia e aproveita a nova oportunidade da vida.
Quem consegue admirar pequenos detalhes e deixar seu coração florescer diante das maravilhas ao seu redor. 

Vive bem quem transforma as folhas secas do outono em adubo para a próxima primavera. 
Quem permite que no seu inverno, seja aquecida por braços alheios. 

Vive bem quem tem a coragem de dar o primeiro passo e não espera demasiadamente pelo outro.
Quem não só pensa, mas também faz.

Vive bem quem consegue enxergar além do sorriso do outro, as dores que gritam por um ombro amigo. 
Mas também quem deixa ser visto sem máscaras e sem flores. 

Vive bem quem sorri sem medo, mas também chora quando o coração aperta.
Quem ama hoje como se fosse o último dia e não se limita em demonstrar esse amor.

Vive bem quem não tem pressa, mas se apressa em ser feliz.
Quem se conhece e consegue se reconhecer em corações alheios.


Saber viver é preciso... A gente consegue?! Nem sempre!  Vive bem quem, verdadeiramente, vive e não apenas sobrevive aos altos e baixos da vida.

Foto: Getúlio Santos @sangetulio


terça-feira, 17 de outubro de 2017

Desculpa! Eu costumo errar.

Para meu espanto e a princípio "desespero", uns dias atrás minha mãe machucou o pé e levei-a ao o médico. Um senhor simpático e bem divertido, examinou o raio-x e nos disse - Olhando aqui a senhora, felizmente, não quebrou o pé. Mas eu costumo errar. -
Minha reação foi sorrir desconcertada e ficar pensando "como um médico fala isso?!". E como se estivesse lendo meus pensamentos, ele sorriu e respondeu em um tom descontraído - Ninguém é perfeito.  Se eu errar, me desculpem. - Senti um tapa na cara!
Como uma música chata fica na cabeça da gente por dias, essa frase ficou na minha e comecei a refletir sobre.

É tão comum querermos nos desculpar, mas não porque erramos e assumimos, mas sim justificando o erro para que não pareça nossa culpa.  Nos escondemos atrás de inverdades, apenas para não ouvir a reprovação do outro ou para parecer superior.

Tão mais digno e bonito, por mais que a princípio doa e até soe vergonhoso, dizer 
- Desculpa. Eu errei. - Assumir a falha, mostrar que também é feito de fragilidades e imperfeições.  Mas o orgulho, a soberba (algumas vezes), o medo de ser reprovado, nos faz esconder o erro, colocar a culpa em alguém ou simplesmente ignorar e fingir que não aconteceu, mesmo que atinja de alguma forma outra pessoa.

Assumir nossos erros não justifica e nem nos deixa imunes para sair por aí errando com tudo e todos. Aquela frase que acaba sendo “justificativa”, às vezes, em momentos de ignorância e arrogância “errar é humano” (e eu tenho outra teoria para essa frase, mas renderia outro texto), não pode ser uma máxima em nossas vidas. Não nos dá carta branca para viver errando.

Não assumimos e nos desculpamos só para o outro, mas sim para nós mesmos. Reconhecer o erro é o primeiro passo para começar de novo.  Não podemos ser fracos para cair em todos os buracos da vida, mas precisamos ser corajosos para levantar, pedir desculpas, assumir nossas quedas e procurar meios de seguir em frente.



domingo, 2 de abril de 2017

Ah, solidão!

Na minha saudade cabem lembranças que os lembrados já tenham esquecido.” 
(Frederico Elboni)

Ao ver a solidão bater à porta a deixo entrar. Ela trouxe consigo lembranças, histórias, sonhos e sentimentos. Abusada sentou à minha frente, me ofereceu um café e me mostrou o que trazia em sua mala.

Colocou sob a mesa muitas lembranças felizes e que muito me acrescentaram. Mas logo depois recolheu meu sorriso mostrando a saudade que ficou. A solidão se fez amiga e me deu sonhos. Deixou que eu flutuasse pelos meus pensamentos e pintasse lindos sonhos, com bastante cor. Mas também não demorou muito a me dizer que eu iria parar por ali, sonhos seriam apenas sonhos.

A essa hora a solidão já tinha desfeito toda sua mala e feito morada em mim. Como uma boa intrusa, não pediu licença e nem chegou devagar. Apenas despejou sua bagagem e me deixou analisando tudo em sua companhia silenciosa.


Agora fico a observar tudo com sentimentos diversos. As doces lembranças, os sonhos que não serão realizados, ou aqueles que até poderiam “se...”. 

Com a solidão e milhares de sentimentos, guardo minha xícara, respiro fundo e adormeço.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

As estranhas manias do amor

O amor e sua estranha mania de  ver flores mesmo no inverno.
De querer guardar o outro em um pontinho de vidro.
De querer proteger mesmo quando sua mão não alcança mais.

A estranha mania de sempre querer esmagar em um abraço.
De sorrir com as árduas vitórias e chorar pelo simples tchau ao ir embora.
De não entender que os filhos,  irmãos, amigos, sobrinhos crescem e precisam voar.

A estranha mania de só apontar os defeitos do outro pra ele e falar de todas suas qualidades para os outros.
De brigar e daí a poucos minutos estar pedindo algo emprestado.
De colocar sempre a culpa no outro, mas ficar com dó quando o outro sofre as consequências.
De fingir nem se importar,  mas querer matar qualquer um que ousar falar ou fazer algo contra o amado.

A estranha mania do amor de achar que tem o outro como propriedade.
De zoar e no final falar "brincadeirinha".
De ter sempre um ciúme quando a atenção precisa ser dividida.

A estranha mania de estar no mais simples.
Do sorriso mais bobo até o sim no altar.
A estranha beleza de se compadecer e não ponderar esforços pela felicidade da pessoa amada.

A estranha mania do amor de ser indefinido,  fazendo-o assim uma beleza imensurável.  Amor é escolha certa e não herança,  é decisão e não sentimento é se doar mais que receber e saber que mesmo precisando de abrigo sempre será morada!


segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Um ano depois...

Texto escrito no dia 11/12/2016, com doces e amargas lembranças.  Dia de decisão e grandes agradecimentos...

Hoje o dia merecia ter tido festa, daquelas bem animadas, com direito a forró até o dia raiar. Não, não é meu aniversário (ainda), não estou comemorando o aniversário de ninguém e nem um ano de namoro e essas paradas (não mesmo, rs).  Mas hoje posso dizer que é o dia que Renasci
Iniciei o dia conversando com minha mãe sobre o 11/12/2015, atualizando, foi o dia que tive o surto depressivo. Quanta agonia, medo e tristeza se deu naquele dia. Eu e minha mãe lembramos de tudo, de cada passo daquele dia, de cada momento de dor e desespero por parte dela e da minha família. 
Relembramos as pessoas que foram nossos apoios nessa hora. Aqueles que indicaram onde deviam me levar, como proceder, o que passou pela cabeça da minha família, enfim... Tudo!

Posso dizer que depois de um ano, eu me sinto outra pessoa. Do dia do surto até hoje, querendo ou não eu lembrava dos acontecimentos, me deixava entrar na melancolia e nas lembranças duras daquele segundo semestre de 2015. Hoje, não mais! Sei que toda essa história vai me acompanhar pra sempre, cada dor, cada ferida, todo choro e falta de coragem irão ser levadas comigo, mas não de forma que elas retomem, mas sim da forma branda que conto e digo que venci! 

Sempre me considerei forte, colocando minha dor no bolso e indo de encontro ao outro. Ser forte dessa forma é ótimo, mas nada se compara em ser forte com os outros. Eu passei por isso tudo e hoje comemoro, porque eu tive uma galera linda e querida ao meu lado. Amigos que se compadeceram, desceram onde eu estava e com palavras, abraços e orações me reergueram. 

A festa hoje foi de orações e agradecimentos. A Virgem Maria com todo seu cuidado de boa Mãe trouxe a cura do céu, me devolveu um sorriso que eu jamais devia ter perdido. Me colocou nos braços do Amado e cuidou de mim. Hoje, tenho certeza que ela me abraçou e disse que sabia que tudo passaria. E passou, Boa Mãe! 
Deus permitiu que cada folha em mim caísse, permitiu que por um tempo eu fosse outono, mas hoje me recorda que estou aqui para florir! E ser uma Flor de Maria!    


sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Outono: voar ou ficar?

Era tarde de outono e lá está ele sentado no banco daquele parque coberto de folhas secas. Que paisagem! Ela chega comendo pipoca e senta ao seu lado.

-Pipoca?

-Não, obrigado! – Ele a olhou e riu do jeito engraçado que chegou e nem sequer o cumprimentou. – 
Quando éramos crianças você era mais educada, Lili. Sempre dizia pelo menos “oi” antes de oferecer pipoca.

-Ah, lá vem você! É que vim pensando em algo muito importante. Mas já que insiste... Oi! – Dá um sorriso amarelado, se levanta e joga o saquinho de pipoca, vazio, na lixeira. Volta para o banco com cara de pensativa, pisando lentamente nas folhas secas para ouvir os barulhinhos que elas emitem.
Senta-se novamente e fica com olhando adiante.

-Lili, Lili. O que se passa nessa sua cabeça, hein?

-Ah, muita coisa e nada ao mesmo tempo. – Volta-se rapidamente para ele- Juninho, você já pensou em ser um passarinho?

Ele a olhou sem entender onde ela queria chegar com aquela pergunta sem nexo algum e respondeu. – Não. Já pensei em ter um jatinho. Serve?- E sorriu.

-Não exatamente! – Suspirou e olhou para o céu como se quisesse realmente sair voando. –Tenho me sentido só. E ser um passarinho me daria a oportunidade de observar muitas coisas e ser livre.

Há essa hora Juninho já não sabia o que falar. Ver sua amiga com aqueles pensamentos era um tanto embaraçoso. –Mas por que tem se sentido assim?

-Eu não sei, mas não culpo ninguém. Talvez eu não tenha ninho certo. – As lágrimas escorreram sem querer e ele a acolheu em um doce e forte abraço.

O abraço foi se intensificando de acordo com que o choro apertava. Um tempo depois tudo se acalmou, ele a deu um beijo na testa e disse. – Hoje o outono se inicia. Deixe que ele leve suas folhas velhas. Você precisa de um ninho novo que a faça ficar
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